
A utilização da radiação ionizante complementa e enriquece a medicina moderna. Exames como radiografias, tomografias e procedimentos intervencionistas dependem dela para o diagnóstico e tratamento preciso. No entanto, doses elevadas a radiação exigem um controle rigoroso. É nesse contexto que a dosimetria desempenha um papel fundamental na proteção radiológica.
O que é dosimetria?
A Dosimetria monitora a quantidade de radiação absorvida por indivíduos ou materiais. Na área da saúde, ela é aplicada principalmente para: - Monitorar a exposição ocupacional de profissionais;
- Estimar doses recebidas por pacientes;
- Garantir conformidade com limites regulatórios;
- Otimizar protocolos clínicos
A dosimetria é, portanto, uma ferramenta estratégica para garantir que os benefícios do uso da radiação superem seus riscos.
A proteção radiológica baseia-se em três princípios fundamentais:
Justificação – todo procedimento deve trazer mais benefícios do que riscos.
Otimização – a dose deve ser tão baixa quanto razoavelmente possível.
Limitação de dose – respeito aos limites estabelecidos para trabalhadores e público.
A dosimetria é o instrumento que permite colocar esses princípios em prática de forma mensurável e controlada.
Monitoramento ocupacional: segurança para quem cuida
Profissionais que atuam na radiologia, medicina nuclear e radioterapia estão expostos à radiação de forma recorrente. O uso de dosímetros individuais permite acompanhar a dose acumulada ao longo do tempo. Esse monitoramento, identifica exposições acima do esperado, auxilia na investigação de incidentes, orienta ajustes em protocolos e rotinas, garante conformidade com normas da CNEN e ANVISA. Mais do que exigência regulatória, trata-se de uma medida de cuidado com a saúde dos trabalhadores.
Dosimetria em pacientes: equilíbrio entre qualidade e segurança
Além do ambiente ocupacional, a dosimetria também é aplicada para avaliar e otimizar a dose recebida pelos pacientes. Em exames de imagem, por exemplo, é fundamental garantir que a qualidade diagnóstica seja mantida, exposição seja minimizada, protocolos estejam ajustados ao perfil do paciente (idade, peso, indicação clínica). A análise dos níveis de referência diagnóstica e o controle periódico dos equipamentos são etapas essenciais nesse processo.
Tecnologia e evolução contínua
Com o avanço tecnológico, sistemas de monitoramento digital e softwares de gestão de dose têm permitido análises mais precisas e integradas. Isso torna a dosimetria não apenas uma exigência normativa, mas uma ferramenta estratégica de gestão.
A dosimetria é um dos pilares da proteção radiológica. Ela transforma um risco invisível em dados concretos, permitindo decisões técnicas fundamentadas, ambientes mais seguros e práticas clínicas mais responsáveis.
Garantir controle e monitoramento adequados não é apenas uma obrigação legal, é um compromisso com a vida.
Texto elaborado por Tiago Langone – Físico Médico
Referências:
Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). NN 3.01 – Diretrizes Básicas de Proteção Radiológica. Rio de Janeiro: CNEN, 2014 (e atualizações vigentes).
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Resolução RDC nº 611, de 9 de março de 2022. Dispõe sobre os requisitos sanitários para a organização e o funcionamento de serviços de radiologia diagnóstica ou intervencionista. Diário Oficial da União, Brasília, 2022.