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Radiologia Médica Odontológica e Veterinária

Como a Desinformação Ameaça a Física Médica e a Segurança Radiológica

Por tiago em 30/01/2026 às 11:43

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         Na Física Médica, lidamos com o "invisível". A radiação, por não ser percebida pelos sentidos humanos, é o terreno perfeito para a criação de mitos. No entanto, quando a desinformação ignora as diretrizes científicas, ela deixa de ser apenas um boato e se torna um risco real à saúde humana.

      O primeiro pilar da proteção radiológica é a Justificação. Segundo a ANSN (Autoridade Nacional de Segurança Nuclear), nenhuma prática médica com radiações é permitida se não houver um benefício real que supere o risco. As fakes news atacam justamente essa lógica. Ao espalharem que "mamografias causam mais câncer do que detectam", elas invertem a balança da justificação. O resultado é desastroso, os pacientes deixam de realizar exames vitais por um medo infundado, transformando um risco probabilístico mínimo em um dano certo pelo diagnóstico tardio.

       Além disso, temos o princípio da Otimização, ferido por informações distorcidas que ignoram o conceito ALARA (As Low As Reasonably Achievable). A norma exige que as doses sejam mantidas tão baixas quanto razoavelmente exequíveis, mas a desinformação frequentemente prega o uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) desnecessários. Notícias falsas que obrigam o uso do protetor de tireoide em todos os exames odontológicos ou de tórax podem causar o efeito oposto ao desejado. Se o protetor estiver no campo de visão do aparelho, ele gera artefatos na imagem, forçando a repetição do exame e, consequentemente, aumentando a dose de radiação no paciente.

     Por fim, o princípio da Limitação de Dose é distorcido por alarmismos que ignoram as informações científicas. Enquanto pacientes buscam o benefício diagnóstico, indivíduos do público e trabalhadores possuem limites anuais estritos (como 1 mSv/ano para o público). Fake news que afirmam que mexer no celular ou dormir próximo ao aparelho causa danos radioativos imediatos espalham um pânico infundado, confundindo radiações não ionizantes com ionizantes. Ao acreditar que qualquer exposição tecnológica viola os limites legais, a sociedade perde a noção de grandeza e equipara riscos triviais a danos severos, minimizando a confiança nas autoridades reguladoras.

     Dessa forma, o malefício das fake news na Física Médica vai além da confusão mental, ele desgasta a cultura de segurança radiológica. Quando a sociedade para de confiar nas normas técnicas e passa a acreditar em postagens mal intencionadas nas redes sociais, a ciência perde parte de sua capacidade de proteger. Combater a desinformação é, portanto, uma tarefa essencial. A segurança do paciente depende da precisão do exame, mas também da precisão da informação.


Texto elaborado por Natália Garlet – Estagiária em Física Médica

 

Referências:

SOCIEDADE BRASILEIRA DE MASTOLOGIA. Comunicado à Sociedade: notícias falsas a respeito do tratamento e da prevenção do câncer de mama. Rio de Janeiro: SBM, [s.d.]. Disponível em: https://sbmastologia.com.br/para-o-medico/comunicado-a-sociedade-noticias-falsas-a-respeito-do-tratamento-e-da-prevencao-do-cancer-de-mama/. Acesso em: 28 jan. 2026.

COLÉGIO BRASILEIRO DE RADIOLOGIA E DIAGNÓSTICO POR IMAGEM. Nota Técnica: Fake News – Comissão Nacional de Mamografia. São Paulo: CBR, 2024. Disponível em: https://cbr.org.br/wp-content/uploads/2024/07/Nota-Tecnica-Fake-News-Comissao-Nacional-de-Mamografia-v1.pdf. Acesso em: 28 jan. 2026.