NucleoBlog
Radiologia Médica Odontológica e Veterinária
Diagnóstico precoce: Brasil reforça rastreamento do câncer de mama

A mamografia é considerada o principal exame de rastreamento do câncer de mama. Ela permite identificar alterações como nódulos, cistos e espessamentos do tecido antes de sinais clínicos. Quando há suspeita, pode ser indicada biópsia para confirmar o diagnóstico. A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) já defendia a realização anual do exame a partir dos 40 anos. Em 2024, mais de 30% das mamografias realizadas no país foram em mulheres abaixo dos 50 anos, segundo o Ministério da Saúde. O Ministério da Saúde vai garantir o acesso a mamografia no SUS a mulheres de 40 a 49 anos mesmo sem sinais ou sintomas de câncer. Essa faixa etária concentra 23% dos casos da doença e a detecção precoce aumenta as chances de cura. A medida faz parte de um conjunto de ações voltadas à melhoria do diagnóstico e assistência, com início do atendimento móvel em 22 estados e da  oferta de medicamentos mais modernos.  A recomendação para as mulheres a partir dos 40 anos é que o exame seja feito sob demanda, em decisão conjunta com o profissional de saúde. A paciente deve ser orientada sobre os benefícios e desvantagens de fazer o rastreamento. Terminar Mulheres nesta idade tinham dificuldade com o exame na rede pública de saúde por conta da avaliação de histórico familiar ou necessidade de já apresentar sintomas. Apesar disso, as mamografias no SUS em pacientes com menos de 50 anos representam 30% do total, equivalente a mais de 1 milhão em 2024. Outra medida é a ampliação da faixa etária para o rastreamento ativo, quando a mamografia deve ser solicitada de forma preventiva a cada dois anos. A idade limite, que até então era de 69 anos, passará a ser até 74 anos. Quase 60% dos casos da doença estão concentrados dos 50 aos 74 anos e o envelhecimento é um fator de risco para o câncer de mama.  A ampliação do acesso à mamografia aproxima o Brasil de práticas internacionais, como as adotadas na Austrália, e reforça o compromisso em garantir diagnóstico precoce e cuidado integral às mulheres brasileiras. O câncer de mama é o mais comum e o que mais mata mulheres, com 37 mil casos por ano.  Esses números refletem a manutenção de uma ampla cobertura no país, reforçando a importância do rastreamento e do diagnóstico precoce do câncer de mama para salvar vidas e garantir mais qualidade na atenção à saúde das mulheres. Texto elaborado por Bruna Lovato - Física Médica NUCLEORAD   REFERÊNCIAS: [1] Ministério da Saúde. Ministério da Saúde garante acesso a mamografia a partir dos 40 anos. Brasília, 23 set. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/setembro/ministerio-da-saude-garante-acesso-a-mamografia-a-partir-dos-40-anos. Acesso em: 24 de setembro de 2025.    

Por em 26/09/2025 às 07:34
Eventos e Notícias
O Acidente Radiológico de Goiânia: Lições que Não Podemos Esquecer

No último sábado, 13 de setembro de 2025, o acidente radiológico de Goiânia completou 38 anos. Esse episódio, ocorrido em 1987, continua sendo lembrado como o maior acidente radiológico já registrado em área urbana, trazendo graves consequências para a saúde pública e marcando definitivamente a história da proteção radiológica no Brasil. Como tudo começou: O acidente teve origem quando um aparelho de radioterapia abandonado em uma clínica desativada foi desmontado por catadores de materiais recicláveis. Dentro do equipamento havia uma cápsula com cloreto de césio-137, que emitia uma intensa radiação gama.A substância, que tinha um brilho azul atraente no escuro, foi manuseada e distribuída entre familiares e vizinhos, sem que ninguém soubesse do perigo que representava.Vale destacar que o césio-137 possui meia-vida de cerca de 30 anos, o que significa que levará aproximadamente três décadas para que metade de sua radioatividade seja reduzida. Isso explica a necessidade de cuidados prolongados com os resíduos do acidente. Consequências imediatas: Nos dias seguintes, várias pessoas começaram a apresentar sintomas como vômitos, queimaduras e queda de cabelo. Ao todo, quatro pessoas morreram em decorrência da exposição: - Leide das Neves Ferreira, 6 anos. - Maria Gabriela Ferreira, 37 anos. - Israel Baptista dos Santos, 22 anos. - Admilson Alves de Souza, 18 anos. A história de Leide das Neves: Leide, uma criança de apenas 6 anos, foi a vítima-símbolo do acidente. Encantada com o brilho azul do pó de césio-137, ela brincou com a substância radioativa, passando-a na pele como se fosse maquiagem. Além disso, levou as mãos contaminadas à boca enquanto se alimentava, ingerindo parte do material.O contato intenso levou a uma exposição interna e externa extremamente elevada, causando graves queimaduras, queda de cabelo, diarreia, vômitos e uma forte depressão da medula óssea. Mesmo com tratamento intensivo em hospital de referência, Leide não resistiu, falecendo em 23 de outubro de 1987, cerca de 40 dias após o acidente. Efeitos determinísticos observados: No acidente de Goiânia, várias vítimas apresentaram efeitos determinísticos da exposição à radiação ionizante, ou seja, efeitos que só aparecem após a superação de uma dose-limiar e cuja gravidade aumenta conforme a dose recebida. Entre os principais registrados estavam: - Síndrome aguda da radiação, com náuseas, vômitos e fraqueza intensa. - Eritema (vermelhidão da pele) seguido de queimaduras radiogênicas graves. - Necrose tecidual em áreas de contato direto com o pó de césio-137. - Queda de cabelo (epilação) temporária ou permanente. - Aplasia medular, com queda acentuada das células do sangue, levando a imunossupressão e infecções fatais.Esses efeitos se diferenciam dos efeitos estocásticos, como o câncer, que podem aparecer anos ou décadas após a exposição, sem uma dose-limiar definida. O destino dos resíduos: Além das mortes e do sofrimento humano, o acidente deixou um enorme passivo ambiental. Mais de 3.500 toneladas de entulhos, objetos e resíduos radioativos foram removidos das áreas afetadas e enterrados em depósitos especialmente construídos em Abadia de Goiás, onde permanecem sob monitoramento até os dias atuais. Lições para a proteção radiológica: O acidente de Goiânia mostrou de forma trágica a importância da gestão segura de fontes radioativas. Entre as principais lições, destacam-se: - A necessidade de controle rigoroso e rastreamento de equipamentos radiológicos. - A importância de treinamento e conscientização da população sobre os riscos da radiação. - O papel essencial da vigilância sanitária e órgãos reguladores para prevenir situações semelhantes. Passados 38 anos, o acidente de Goiânia permanece como um alerta permanente. Ele reforça que a proteção radiológica não é apenas uma exigência técnica, mas sim uma questão de saúde pública e responsabilidade social.    Texto elabora por Otávio Augusto de Sousa Barbosa - Físico Médico NUCLEORAD   Referências: [1]Unifan. Acidente com o Césio-137 em Goiânia completa 35 anos e a Unifan fala sobre os impactos e lições. UNIFAN, 14 de setembro de 2022. Disponível em: https://www.unifan.edu.br/noticias/acidente-com-o-cesio-137-em-goiania-completa-35-anos-e-a-unifan-fala-sobre-os-impactos-e-licoes/ unifan.edu.br [2]UOL Notícias. Os 30 anos do acidente radioativo do Césio-137. UOL, 10 de setembro de 2017. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/album/mobile/2017/09/10/os-30-anos-do-acidente-radioativo-do-cesio-137.htm      

Por em 16/09/2025 às 11:17
Radiologia Médica Odontológica e Veterinária
A Importância do Controle de Qualidade em Monitores de Mamografia

O câncer de mama é a principal causa de morte por neoplasia entre mulheres em todo o mundo. A detecção precoce é determinante para aumentar as taxas de sobrevida, e a mamografia é o melhor método. Contudo, a eficácia desse exame está diretamente relacionada à qualidade de todo o processo de aquisição, processamento e interpretação das imagens. O diagnóstico depende não apenas do sistema de aquisição de imagens, mas também da qualidade de exibição nos monitores utilizados pelos radiologistas. Embora a maior parte das pesquisas enfatize o desempenho dos equipamentos de raios X, o monitor de exibição constitui etapa igualmente crítica. A interpretação radiológica depende da fidelidade com que a imagem é apresentada ao observador, tornando o controle de qualidade desses dispositivos uma exigência essencial.  Características dos Monitores de Mamografia Monitores destinados à interpretação de exames monográficos apresentam especificações técnicas superiores em comparação a monitores de uso geral. A resolução mínima recomendada é de 5 megapixels, o que possibilita a visualização de microcalcificações e detalhes estruturais sutis. Além disso, altos níveis de luminância, contraste adequado, uniformidade da tela e calibração baseada no padrão DICOM GSDF (Grayscale Standard Display Function) são fundamentais para a correta representação das escalas de cinza.  Metodologia de Controle de Qualidade Os programas de qualidade em monitores de mamografia envolvem avaliações periódicas com diferentes níveis de complexidade:  verificação de padrões de contraste, luminância e detecção de artefatos. análise de resolução espacial, uniformidade da tela e resposta da escala de cinza. ajuste do monitor para manter conformidade com a função GSDF. Essas avaliações devem ser documentadas e acompanhadas ao longo do tempo, permitindo a detecção precoce de degradações que possam comprometer o diagnóstico. A ausência de controle de qualidade compromete a acurácia diagnóstica da mamografia. Monitores degradados reduzem a percepção de microcalcificações e distorções arquiteturais, aumentando tanto o risco de falsos-negativos, que atrasam o tratamento, quanto de falsos-positivos, que geram ansiedade e exames desnecessários. Diversas entidades internacionais, como o American College of Radiology (ACR) e a European Reference Organisation for Quality Assured Breast Screening and Diagnostic Services (EUREF), além da ANVISA no Brasil, estabelecem normas técnicas e protocolos de controle de qualidade específicos para monitores de mamografia. A adesão a esses protocolos é também requisito em programas de acreditação em diagnóstico por imagem.   O monitor de exibição constitui parte fundamental do sistema de mamografia, desempenhando papel tão relevante quanto o detector de raios X. A implementação de programas de controle de qualidade rigorosos garante diagnósticos mais confiáveis, otimiza a detecção precoce do câncer de mama e contribui diretamente para a redução da mortalidade. Assim, investir em qualidade de monitores de mamografia é investir em saúde pública e segurança das pacientes.   Tiago Langone – Físico Médico NUCLEORAD   Referências [1]World Health Organization. Breast cancer: early diagnosis and screening. Geneva: WHO, 2023. American College of Radiology (ACR). Mammography Quality Control Manual. Reston, VA: ACR, 2018.EUREF. European guidelines for quality assurance in breast cancer screening and diagnosis. 4th ed. Luxembourg: Office for Official Publications of the European Communities, 2019. [2]Samei, E., & Flynn, M. J. "A method for in-field evaluation of the modulation transfer function of digital radiographic systems using an edge test device." Medical Physics, 2003. [3]Yaffe, M. J., & Mainprize, J. G. "Digital mammography: Lessons from digital radiography." Radiology, 2020. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Resolução RDC nº 611/2022: Requisitos de Boas Práticas para Serviços de Mamografia. Brasília: ANVISA, 2022.      

Por em 11/09/2025 às 11:46
Radiologia Médica Odontológica e Veterinária
Raio X: do convencional para a alta energia e alta tecnologia empregadas na Física Médica

A geração de radiação ionizante tem uma longa trajetória dentro da Física Médica. Desde a descoberta dos raios X por Wilhelm Conrad Roentgen em 1895, a ideia central sempre foi a mesma: acelerar elétrons a altas velocidades e fazê-los colidir contra um alvo de alto número atômico, convertendo parte da energia cinética em fótons. Porém, a forma de realizar essa aceleração e os limites energéticos possíveis mudaram radicalmente ao longo das décadas.[1] Nos tubos de raios X convencionais, essa produção acontece em um sistema relativamente simples: um cátodo aquecido libera elétrons por emissão termoiônica, que são acelerados em direção a um ânodo por meio de uma alta diferença de potencial. O alvo, geralmente de tungstênio, é escolhido por seu alto número atômico e ponto de fusão, características que o tornam eficiente e resistente ao intenso calor. Quando os elétrons colidem com o alvo, dois processos principais ocorrem: o bremsstrahlung, também chamado de radiação de freamento, e a emissão de raios X característicos, que resultam da reorganização eletrônica do material-alvo. O detalhe fundamental é que, nesse arranjo, a energia máxima dos fótons não pode ultrapassar a tensão aplicada entre cátodo e ânodo. Ou seja, se o tubo opera a 120 kV, nenhum fóton terá energia maior que 120 keV. Aumentar o kV parece, à primeira vista, uma solução óbvia para obter radiações mais penetrantes, mas logo surgem limitações técnicas: o aquecimento do alvo aumenta perigosamente, o isolamento elétrico do tubo torna-se complexo e o rendimento global continua baixo, já que menos de 1% da energia se converte em radiação útil.[1][2] Para superar esse teto tecnológico, a solução foi recorrer a um princípio diferente de aceleração, que se materializou nos aceleradores lineares, conhecidos como LINACs. Em vez de confiar em uma única diferença de potencial, os LINACs empregam cavidades de radiofrequência que funcionam como ondas eletromagnéticas estacionárias. Os elétrons são injetados nesse campo e passam a interagir com as ondas como surfistas que aproveitam a crista de cada onda do mar, ganhando velocidade e energia a cada cavidade atravessada. Dessa forma, elétrons que partem de energias modestas da ordem de dezenas de keV chegam rapidamente à faixa dos MeV, milhões de elétron-volts, valores inalcançáveis por tubos convencionais.[3] O coração desse processo está nos dispositivos que geram ou amplificam as ondas: o magnetron, que atua como um oscilador de alta potência e produz micro-ondas pulsadas na casa dos 3.000 MHz, e o klystron, um amplificador que utiliza feixes de elétrons modulados em velocidade para aumentar a potência da onda. Ambos alimentam a estrutura aceleradora, um tubo de cobre subdividido em cavidades ressonantes, onde ocorre a “surfada” dos elétrons. No final do percurso, o feixe já possui energia suficiente para, ao atingir um alvo metálico, produzir fótons de bremsstrahlung na faixa da megavoltagem. Enquanto nos tubos diagnósticos se trabalha com fótons de até algumas centenas de keV, nos LINACs os fótons podem chegar a energias médias de 2 a 6 MeV, extremamente mais penetrantes.[3]   Esse salto energético transformou a prática clínica e expandiu aplicações muito além da radiologia convencional. Na oncologia, os aceleradores lineares possibilitam tratar tumores profundos de forma eficaz, já que os fótons de megavoltagem interagem principalmente por efeito Compton em tecidos moles, permitindo um controle muito mais refinado da distribuição de dose. Isso abriu espaço para técnicas como IMRT, em que a intensidade do feixe é modulada para poupar tecidos sadios, e VMAT, em que a radiação é entregue de forma contínua durante a rotação do equipamento.[3] Outra aplicação fundamental está na produção de radiofármacos. Aceleradores como LINACs(Exemplo na imagem abaixo) e cíclotrons são capazes de bombardear alvos específicos e induzir reações nucleares que resultam em radionuclídeos de meia-vida curta, que se ligam a moléculas de interesse biológico. É o caso do flúor-18, utilizado na síntese do FDG, o radiofármaco mais difundido nos exames de PET-CT, capaz de mapear o metabolismo da glicose e identificar tecidos tumorais com alta atividade metabólica. Outros exemplos incluem o iodo-123, empregado em cintilografias da tireoide, o gálio-67, usado em investigações inflamatórias e oncológicas, e o tálio-201, importante em exames de cardiologia nuclear. Sem os aceleradores, esses radioisótopos não poderiam ser produzidos em tempo hábil para uso clínico, já que seu curto tempo de meia-vida exige proximidade com os centros médicos.[3] Os benefícios não se limitam à área médica. Aceleradores lineares também são utilizados em pesquisas de física fundamental, no desenvolvimento de novos contrastes e radiofármacos, em estudos de interação da radiação com a matéria e até em aplicações industriais, como a esterilização de materiais médicos ou a análise de estruturas cristalinas.[3] Se, no início, a solução parecia ser apenas aumentar o kV aplicado em um tubo de raios X, a evolução tecnológica mostrou que era preciso ir além. Hoje, ao transformar elétrons em surfistas de ondas eletromagnéticas dentro de cavidades de radiofrequência, os aceleradores lineares fornecem feixes de fótons de altíssima energia que revolucionaram a radioterapia, sustentam a Medicina Nuclear e ainda ampliam fronteiras da pesquisa e da indústria. A ideia inicial de simplesmente “aumentar o kV” tornou-se uma engenharia sofisticada que mudou para sempre a forma como usamos a radiação em benefício da saúde e do conhecimento humano. Texto elaborado por Eduardo Berna – Estagiário NUCLEORAD  

Por em 28/08/2025 às 08:48
Indústria, Medicina Nuclear e Transportes
Avaliação Diária da Gama Câmara: Entendendo os Parâmetros de Controle de Qualidade

A Medicina Nuclear é uma área essencial no diagnóstico e acompanhamento de diversas doenças. Entre os equipamentos mais utilizados está a gama câmera, responsável pela aquisição das imagens cintilográficas e tomográficas (SPECT). Para assegurar que os exames apresentem imagens de alta qualidade e com segurança para pacientes e profissionais, é necessário realizar rotineiramente testes de Controle de Qualidade (CQ). Esses testes seguem diretrizes internacionais, como as recomendações da NEMA (National Electrical Manufacturers Association), e nacionais, como a norma CNEN NN 3.05 – Requisitos de Segurança e Proteção Radiológica para Serviços de Medicina Nuclear. Os testes diários são obrigatórios nos serviços de Medicina Nuclear, mas interpretar o que está por trás de cada parâmetro é o que garante a verdadeira qualidade da imagem e a segurança do paciente. De acordo com a norma NEMA NU 1-2018 (específica para gama câmaras) e a CNEN NE 3.05, estes são os principais testes realizados rotineiramente: Uniformidade (UFOV / CFOV) Avalia se o detector responde de forma homogênea à radiação. UFOV: Useful Field of View (campo útil total) CFOV: Central Field of View (campo central) Os principais índices apresentados são: IU%: Integral Uniformity DU%: Differential Uniformity Alterações podem indicar falhas em PMTs, cristal ou colimador. A imagem deve ser analisada visualmente em paralelo aos dados numéricos. Pico de energia (Energy Peak / PHA Centerline / Window Width) Verifica se o sistema está detectando corretamente a energia do radionuclídeo. Exemplo: o pico do 99mTc deve estar em 140 keV, com janela de energia de 20%. Nos relatórios aparecem: Energy Peak (keV) PHA Centerline Window Width (%) Desvios comprometem a captação adequada dos fótons, resultando em perda de contagem ou inclusão de eventos espúrios. Sensibilidade (cps/MBq) Indica a eficiência do sistema em detectar fótons emitidos por uma determinada atividade. Apresentada como counts per second (cps) ou cps/MBq. Quedas podem ser causadas por degradação do cristal, falhas eletrônicas, problemas no colimador ou desalinhamento dos PMTs. Resolução espacial (FWHM) É a medida da capacidade do sistema de distinguir dois pontos próximos. Quanto menor o FWHM, melhor a resolução espacial. Varia conforme tipo de colimador, energia utilizada e estado do equipamento. Presença de artefatos ou ruídos visuais Mesmo com valores numéricos dentro dos limites, a imagem do flood deve ser analisada visualmente. Linhas frias, manchas circulares ou padrões em zigue-zague podem indicar falhas em PMTs, conexões internas, cristal danificado ou distúrbios eletrônicos.   Correção de uniformidade (Uniformity Correction Map) Em equipamentos digitais, são usados mapas de correção para compensar pequenas imperfeições do detector. Se o mapa estiver desatualizado ou corrompido, pode mascarar falhas reais. Por isso, é essencial revisar periodicamente a uniformidade "raw".   Monitoramento de parâmetros complementares Alguns sistemas realizam verificações automáticas de:   Background Temperatura e umidade interna Diagnóstico eletrônico Estado do colimador   Esses parâmetros também devem ser considerados na avaliação técnica. Executar o controle diário é mais do que uma exigência: é um ponto de partida para decisões técnicas seguras.   Esses testes são essenciais, pois: Garantem qualidade diagnóstica e evitam imagens com artefatos. Previnem repetição desnecessária de exames, reduzindo exposição à radiação. Detectam precocemente falhas técnicas no equipamento. Asseguram conformidade com as exigências legais da CNEN NN 3.05. O Controle de Qualidade diário em gama câmaras é um pilar essencial da Medicina Nuclear. Realizar esses testes regularmente não apenas garante imagens diagnósticas confiáveis, mas também reforça o compromisso da física médica com a segurança radiológica do paciente e a excelência técnica.   Texto elaborado por Bruna Lovato – Física Médica NUCLEORAD   Referências: [1] NEMA. Performance Measurements of Gamma Cameras. NEMA Standards Publication NU 1. Rosslyn, VA: National Electrical Manufacturers Association, 2018. [2] BRASIL. Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). CNEN NN 3.05: Requisitos de Segurança e Proteção Radiológica para Serviços de Medicina Nuclear. Rio de Janeiro: CNEN, 2013.  

Por em 21/08/2025 às 14:36
Gestão em Saúde
Radioproteção na telemedicina

Telemedicina e Radiologia: Como Garantir a Radioproteção à Distância? A radiologia moderna evolui rapidamente com o avanço das tecnologias digitais. A telemedicina, que antes parecia algo futurista, agora é uma realidade consolidada em clínicas, hospitais e centros diagnósticos. Mas com essa mudança vem uma pergunta crucial: Como garantir a radioproteção quando parte da operação é feita remotamente? Com base em estudos sobre telemedicina de (Mettler, 2006) e (Simmons et al., 2009), eles analisam como alinhar eficiência diagnóstica e segurança radiológica no contexto da radiologia remota. O que a Telemedicina muda na Radiologia? A telemedicina permite que exames sejam realizados em um local e interpretados por especialistas em outro. Essa prática é útil especialmente em: Áreas remotas com escassez de radiologistas; Ambientes críticos; Situações especiais como emergências e desastres. Contudo, os exames continuam a expor pacientes à radiação ionizante, e as decisões sobre protocolos de imagem nem sempre contam com supervisão direta do radiologista. Isso torna a padronização e o rastreamento da dose ainda mais importantes. Por que a Radioproteção precisa de novas estratégias? Fred Mettler (2006), enfatiza que o uso crescente de exames como tomografia computadorizada elevou significativamente a dose populacional de radiação. Muitos pacientes são submetidos a múltiplos exames ao longo da vida, sem qualquer controle sobre a carga cumulativa de exposição. No contexto da telemedicina, o rastreamento individual de dose (dose tracking) torna-se essencial para: Evitar exames desnecessários ou repetidos; Identificar rapidamente exposições acima dos níveis recomendados; Proteger grupos vulneráveis (como crianças, gestantes e pacientes oncológicos). Estratégias para Radioproteção em Ambientes de Telemedicina Protocolos padronizados Os equipamentos devem operar com protocolos técnicos definidos e validados, garantindo qualidade da imagem com a menor dose possível (princípio ALARA). Sistemas de dose tracking Devem ser implementados softwares que registrem automaticamente a dose por exame, como:  DLP, CTDIvol ou tempo de fluoroscopia. Isso permite: Auditoria remota; Análise de tendências; Identificação de exposições excessivas. Capacitação das equipes locais No modelo remoto, os profissionais que estão fisicamente com o paciente (como técnicos em radiologia) precisam ser bem treinados em: Radioproteção; Ajustes técnicos; Comunicação com os médicos à distância. Infraestrutura segura Como discutido por Simmons et al. (2009), a confiabilidade da transmissão de dados médicos, imagens e laudos é fundamental. Além disso, é preciso: Armazenar os dados de exposição com segurança; Garantir que o histórico de dose esteja disponível para futuras decisões clínicas. A integração entre telemedicina e radioproteção não é apenas uma tendência, é uma necessidade ética e clínica. Para garantir segurança em ambientes onde o radiologista não está presente fisicamente, é essencial: Implementar rastreamento de dose; Usar protocolos seguros; Garantir a capacitação técnica; Monitorar a exposição em tempo real. Essas medidas não apenas protegem o paciente, mas também reforçam a qualidade e a confiabilidade da prática radiológica moderna.   Texto elaborado por Samara Pinto - Física Médica NUCLEORAD   Referências SIMMONS, Scott C.; HAMILTON, Douglas R.; McDONALD, P. Vernon. Telemedicine. In: SEGARS, W. Paul; TSUI, Benjamin M. W. (Eds.). Handbook of Anatomical Models for Radiation Dosimetry. New York: Springer, 2009. p. 135–148. DOI: 10.1007/978-0-387-68164-1_8 METTLER, Fred A. Patient exposure tracking. United Nations Scientific Committee on the Effects of Atomic Radiation (UNSCEAR), 2006. Disponível em: https://www.osti.gov/etdeweb/biblio/20892134. Acesso em: 11 ago. 2025.  

Por em 15/08/2025 às 15:16