NucleoBlog
Gestão em Saúde
Telemedicina e Física Médica: Integrando Tecnologia para Melhores Cuidados em Saúde

Nos últimos anos, a telemedicina se tornou uma ferramenta cada vez mais relevante na prática clínica, especialmente em decorrência da pandemia de COVID-19. Essa inovação tecnológica transformou a maneira como os cuidados médicos são prestados, permitindo que pacientes e profissionais de saúde interajam à distância. Mas como a física médica se encaixa nesse novo paradigma? Neste texto, exploraremos a interseção entre telemedicina e física médica, destacando a importância dessa parceria para a segurança e eficácia dos atendimentos.   O Papel da Telemedicina na Prática Clínica: A telemedicina permite que os profissionais de saúde ofereçam consultas e monitoramento remoto, usando tecnologia de videoconferência, aplicativos de saúde e dispositivos de monitoração. Essa abordagem não apenas aumenta o acesso a cuidados médicos, mas também é crucial em situações em que o deslocamento é difícil ou arriscado.   Importância da Física Médica na Telemedicina: Apesar das vantagens da telemedicina, a integração da física médica é essencial para assegurar que os serviços prestados sejam seguros e eficazes. Aqui estão algumas áreas em que a física médica desempenha um papel fundamental:  - Calibração de Equipamentos: Muitos exames realizados remotamente, exigem equipamentos que precisam ser calibrados e mantidos por físicos médicos. Isso garante que os resultados sejam precisos e confiáveis.  - Telemonitoramento de Pacientes: Dispositivos de saúde conectados que monitoram constantemente condições como ritmo cardíaco e níveis de glicose estão se tornando comuns. Físicos médicos podem ajudar na otimização desses dispositivos, garantindo que as informações sejam transmitidas de maneira precisa e em tempo real.  - Otimizando Técnicas de Imagem: Em caso de consulta à distância que exija análise de imagens médicas, como tomografias ou ressonâncias magnéticas, a física médica é fundamental para garantir a qualidade e a segurança dessas imagens, promovendo a adequação da dose de radiação e a proteção dos tecidos saudáveis.   Desafios na Implementação da Telemedicina com Foco na Física Médica: Embora a telemedicina ofereça muitas vantagens, há desafios que precisam ser superados: - Segurança e Privacidade: A transferência de dados médicos online deve seguir rigorosas diretrizes de segurança para proteger informações sensíveis. Físicos médicos podem colaborar com equipes de TI para garantir que os sistemas estejam adequadamente protegidos. - Padronização de Protocolos: A falta de protocolos unificados pode criar inconsistências na qualidade do atendimento remoto. A física médica pode ajudar a desenvolver e implementar protocolos padrão para garantir que a telemedicina mantenha a mesma qualidade que os atendimentos presenciais. A combinação da telemedicina com a física médica promete transformar o cenário do atendimento em saúde. À medida que a tecnologia avança, será possível integrar novas inovações, como inteligência artificial e análise, para ajudar na tomada de decisões clínicas. A colaboração entre médicos, físicos médicos e engenheiros será crucial para otimizar essas tecnologias e garantir o melhor cuidado aos pacientes.   Texto elaborado por Tiago Langone – Físico Médico NUCLEORAD   Referências: [1] DE VIANNA TINÉ, João Pedro. Impacto da Tecnologia e Suas Transformações na Área da Saúde. Unirepositório, v. 2, n. 11, p. 1-15, 2024. [2] DA CONCEIÇÃO NUNES, Heloá; et al. Desafios bioéticos do uso da inteligência artificial em hospitais. Revista Bioética, v. 30, n. 1, p. 82-93, 2022. [3] DE OLIVEIRA, Alexsandro Narciso et al. O impacto da inteligência artificial na melhoria do diagnóstico e tratamento de doenças na área da saúde. Revista Tópicos, v. 2, n. 7, p. 1-12, 2024.

Por em 17/12/2024 às 13:42
Radiologia Médica Odontológica e Veterinária
A Implementação de Inteligência Artificial em Imagens de Ressonância Magnética

A ressonância magnética (RM) é uma das ferramentas de diagnóstico por imagem mais avançadas e essenciais na medicina moderna, conhecida por sua capacidade de fornecer imagens detalhadas e não invasivas de tecidos moles, órgãos e sistemas internos. Nos últimos anos, a implementação de inteligência artificial (IA) na RM tem revolucionado a forma como essas imagens são adquiridas, processadas e analisadas, promovendo avanços significativos na eficiência, qualidade e precisão diagnóstica. A inteligência artificial possibilita a automação e otimização de diversos processos na RM. Um dos principais benefícios é a aceleração do tempo de aquisição de imagens, um aspecto crucial em exames que tradicionalmente podem ser demorados e desconfortáveis para o paciente. Com o uso de algoritmos inteligentes, é possível realizar técnicas de subamostragem que permitem coletar menos dados sem comprometer a qualidade da imagem final, graças à capacidade da IA de reconstruir imagens precisas a partir de informações limitadas. Isso reduz o tempo do exame e melhora a experiência do paciente, além de aumentar a produtividade dos serviços de saúde. Outro avanço significativo proporcionado pela IA é a melhora na qualidade das imagens geradas. Algoritmos especializados podem reduzir ruídos e corrigir artefatos, como distorções causadas por movimentos do paciente durante o exame. Além disso, técnicas de reconstrução baseadas em redes neurais convulsionais permitem gerar imagens de alta resolução, mesmo em situações em que a qualidade inicial dos dados adquiridos é inferior. Isso resulta em diagnósticos mais confiáveis e em menos necessidade de repetir exames. A IA também desempenha um papel crucial na análise automatizada de imagens de RM. Modelos treinados com grandes bases de dados podem identificar padrões sutis que indicam alterações patológicas, como tumores, lesões ou inflamações, muitas vezes em estágios iniciais da doença. Essa capacidade de detecção precoce é especialmente valiosa em condições como câncer, onde o diagnóstico antecipado pode salvar vidas. Além disso, a IA facilita a segmentação de estruturas e anomalias específicas dentro das imagens, oferecendo uma visualização mais detalhada para médicos e ajudando no planejamento de tratamentos. A integração da inteligência artificial também contribui para a personalização do diagnóstico e tratamento. Com base em análises detalhadas de dados, a IA pode auxiliar na criação de protocolos de exame adaptados às características individuais de cada paciente, maximizando a eficácia diagnóstica e minimizando a exposição a potenciais riscos. Embora as vantagens sejam notáveis, a implementação da IA na ressonância magnética também enfrenta desafios. A necessidade de bases de dados diversificadas e bem anotadas para treinar os algoritmos é uma das principais dificuldades. A inteligência artificial está transformando o campo da ressonância magnética, trazendo benefícios que vão desde a redução do tempo de exame até a melhora na precisão dos diagnósticos. Com a combinação de tecnologia avançada e expertise clínica, a IA tem o potencial de elevar os padrões de cuidado em saúde, tornando os exames de RM mais eficientes, acessíveis e personalizados.   Texto elaborado por Letícia Fröhlich - Física Médica NUCLEORAD   Referências: [1] VOLTOLINI, E.; DOSSENA, C.; NANTES FONTOURA TEOFILO, R.; FERREIRA DA SILVA , E.; JORGE BRANDOLIM , M.; HENRIQUE DO PRADO GONÇALVES, G.; GABRIEL MONTEIRO PEREIRA, C.; SANCHES FURLAN , L.; BARBOSA LOPES, A. B.; CONDÉ FERNANDES , E.; PARREIRA MENEGASSI , I. R.; MALACHIAS DE ANDRADE BERGAMO , F.; MACEDO NUNES , I.; BEZERRA CAVALCANTE, J.; BOING VOLTOLINI , C. O Uso da Inteligência Artificial (IA) como mecanismo analisador de imagens de ressonância magnética cardíaca para detectar inflamações e cicatrizes no músculo cardíaco: Uma revisão Sistemática. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences , [S. l.], v. 6, n. 10, p. 664–676, 2024. DOI: 10.36557/2674-8169.2024v6n10p664-676. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/3827. Acesso em: 9 dez. 2024.

Por em 12/12/2024 às 12:22
A Revolução da Inteligência Artificial na Radiologia: Detecção de Microcalcificações em Mamografias

A radiologia está vivenciando uma revolução tecnológica impulsionada pela Inteligência Artificial (IA), que tem se consolidado como uma ferramenta essencial para diagnósticos médicos. Com a capacidade de processar grandes volumes de dados e identificar padrões complexos em imagens, a IA oferece suporte crucial na detecção de anomalias sutis, como as microcalcificações em mamografias. Essas pequenas deposições de cálcio, que podem ter apenas 1 a 3 pixels de dimensão, são frequentemente associadas aos estágios iniciais do câncer de mama. No entanto, devido ao seu tamanho reduzido e à complexidade do tecido mamário, sua identificação pode ser desafiadora até mesmo para os radiologistas mais experientes. A detecção de microcalcificações pela IA é baseada em algoritmos de aprendizado profundo, ou deep learning, que simulam redes neurais biológicas para processar dados em múltiplas camadas. Esses algoritmos são capazes de identificar padrões em imagens médicas de maneira semelhante à forma como o cérebro humano reconhece características visuais. No caso das mamografias, a IA analisa pixel por pixel, destacando áreas de interesse com base em parâmetros pré-definidos e em características aprendidas durante o treinamento do modelo. Segundo Gonzalez e Woods (2008), técnicas de processamento digital de imagens, como a filtragem espacial e o realce de contraste, são frequentemente aplicadas para preparar os dados antes de serem inseridos no algoritmo de IA, aumentando a sensibilidade e a precisão da análise. O treinamento dessas IAs é realizado com o uso de grandes bases de dados, contendo milhares de imagens rotuladas por especialistas. Durante esse processo, o algoritmo aprende a distinguir padrões associados a microcalcificações benignas e malignas, além de diferenciar essas estruturas de artefatos ou características normais do tecido mamário. O aprendizado é iterativo, o que significa que o modelo passa por sucessivas fases de treinamento, validação e teste, até atingir um nível de precisão satisfatório. A utilização de técnicas como data augmentation – que amplia artificialmente o conjunto de dados, variando aspectos como rotação, escala e brilho das imagens – também é fundamental para melhorar a robustez do modelo e evitar o overfitting (quando o algoritmo “memoriza” os dados de treinamento, mas tem dificuldade em generalizar para novos casos). No contexto das microcalcificações, o deep learning permite que a IA não apenas detecte essas estruturas, mas também analise características adicionais, como tamanho, forma, distribuição e densidade. Essas informações são cruciais para a classificação das microcalcificações em categorias de risco, auxiliando os radiologistas na tomada de decisões clínicas. Por exemplo, em casos de suspeita de malignidade, o algoritmo pode sugerir a realização de exames complementares ou até mesmo uma biópsia. Estudos recentes destacam que a sinergia entre a IA e a análise humana aumenta significativamente a precisão diagnóstica, reduzindo tanto os falsos positivos quanto os falsos negativos. Além disso, a implementação da IA na radiologia oferece benefícios adicionais, como a padronização dos laudos e a priorização de casos em sistemas de triagem. Em um ambiente hospitalar de alta demanda, esses recursos ajudam a otimizar o fluxo de trabalho, garantindo que pacientes com maior necessidade de atenção sejam avaliados com urgência. A triagem automatizada de mamografias, por exemplo, pode identificar rapidamente exames com alta probabilidade de microcalcificações suspeitas, permitindo que os radiologistas concentrem seus esforços nos casos mais críticos. No entanto, a incorporação da IA na radiologia exige uma infraestrutura robusta e um alinhamento ético e regulatório. O treinamento de modelos de deep learning requer poder computacional elevado e acesso a grandes conjuntos de dados, o que pode representar um desafio em instituições menores ou em regiões menos desenvolvidas. Além disso, é essencial garantir a proteção dos dados dos pacientes e a transparência dos algoritmos, para que os profissionais de saúde e os pacientes confiem nas decisões tomadas com o auxílio da IA. Em resumo, a IA está transformando a radiologia, oferecendo precisão, eficiência e suporte em diagnósticos desafiadores. A detecção de microcalcificações em mamografias exemplifica o potencial dessa tecnologia, que combina algoritmos avançados de deep learning com o julgamento clínico humano para melhorar os cuidados médicos. A sinergia entre IA e radiologistas não apenas eleva o padrão de qualidade no diagnóstico por imagem, mas também contribui para intervenções mais precoces e eficazes, impactando positivamente os desfechos dos pacientes. -Texto elaborado pelo estagiário Eduardo Berna – graduando em física médica pela UFCSPA – NUCLEORAD     Referências: Gonzalez, R. C., & Woods, R. E. (2008). Processamento de Imagens Digitais. Pearson Prentice Hall. Neuralmed. (2023). Inteligência artificial na radiologia: Conheça os benefícios! Disponível em: (neuralmed.ai) Instituto Atheneu. (2023). Qual é o impacto da inteligência artificial na radiologia? Disponível em: (blog.institutoatheneu.com.br)

Por tiago em 03/12/2024 às 13:44
Gestão em Saúde
Novembro Azul: A Luta contra o Câncer de Próstata e a Conscientização sobre a Saúde Masculina

O mês de novembro é marcado por uma importante campanha de conscientização: o Novembro Azul. Durante todo o mês, diversas ações e eventos são realizados para informar, educar e incentivar os homens a cuidarem melhor de sua saúde, quebrando tabus e preconceitos que ainda existem em relação ao cuidado com o corpo e a prevenção de doenças [1]. Nesse sentido, o Novembro Azul é uma campanha de conscientização que busca chamar a atenção para o câncer de próstata, o segundo mais comum entre os homens no Brasil e no mundo, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Além disso, a campanha também busca estimular os homens a adotarem hábitos saudáveis, como a prática regular de atividades físicas, uma alimentação equilibrada e a realização de exames médicos periódicos. A ideia é incentivar os homens a superarem o medo e o estigma associados à realização de exames preventivos, como o exame de toque retal e o exame de sangue PSA (antígeno prostático específico), que ajudam na detecção precoce da doença. O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento, já que, quando identificado nas fases iniciais, o câncer de próstata tem altas taxas de cura. O Câncer de Próstata: Estatísticas e Fatores de Risco De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens brasileiros, com estimativas de mais de 65 mil novos casos a cada ano [2]. A boa notícia é que, quando detectado precocemente, as chances de sucesso no tratamento são muito altas. A taxa de cura para o câncer de próstata em estágio inicial pode ultrapassar os 90%. Fatores de risco incluem [3]: Idade: O risco aumenta com o avançar da idade. No Brasil, a cada dez homens diagnosticados com câncer de próstata, nove têm mais de 55 anos; Histórico familiar: Homens cujo pai ou irmão tiveram câncer de próstata antes dos 60 anos; Sobrepeso e Obesidade: Estudos recentes mostram maior risco de câncer de próstata em homens com peso corporal elevado. Embora o câncer de próstata seja comum, a grande maioria dos homens diagnosticados com a doença não morre por conta dela, especialmente se o diagnóstico ocorrer de forma precoce. Por isso, é fundamental que os homens se submetam aos exames preventivos regularmente, principalmente a partir dos 50 anos, ou antes, se houver histórico familiar ou outros fatores de risco. Principais Exames para a Prevenção do Câncer de Próstata Exame de Toque Retal: Embora muitas vezes seja visto com receio, o exame de toque retal é um dos métodos mais eficazes para detectar alterações na próstata, como nódulos ou aumento de volume, sinais que podem indicar câncer. O exame é rápido, simples e muito importante, principalmente para homens a partir dos 50 anos, ou mais cedo, caso haja histórico familiar de câncer de próstata [4]. Exame de PSA (Antígeno Prostático Específico): O exame de sangue que mede os níveis de PSA é outro método utilizado para detectar alterações na próstata. Níveis elevados de PSA podem indicar a presença de câncer, mas também podem estar relacionados a outras condições, como prostatite ou hiperplasia benigna da próstata. Para um diagnóstico mais preciso, o PSA deve ser analisado juntamente com o exame de toque retal. Biópsia da Próstata: Quando os exames iniciais sugerem alterações, o médico pode recomendar uma biópsia para confirmar o diagnóstico. Embora seja um procedimento um pouco mais invasivo, a biópsia é fundamental para determinar a presença de câncer e a agressividade do tumor. Saúde Masculina Além do Câncer de Próstata Embora o foco principal do Novembro Azul seja o câncer de próstata, a campanha também destaca outros aspectos da saúde do homem [5], incluindo: Saúde Mental, pois os homens têm menos propensão a buscar ajuda para questões emocionais e psicológicas; Doenças Cardíacas, já que a doença cardiovascular é a principal causa de morte entre os homens no Brasil; Saúde Sexual: o cuidado com a saúde sexual e reprodutiva, promovendo o diálogo sobre disfunção erétil, por exemplo. Portanto, o Novembro Azul é uma campanha de grande importância para a saúde masculina. Ao promover a conscientização sobre o câncer de próstata e outras questões relacionadas à saúde do homem, ela contribui para salvar vidas e melhorar a qualidade de vida dos homens. Ao quebrar tabus e estimular a busca por cuidados médicos preventivos, essa campanha ajuda a criar uma cultura de autocuidado, respeito à saúde e prevenção. Se você é homem, não deixe de aproveitar este mês para fazer os exames necessários e, se você é mulher, incentive os homens ao seu redor a se cuidarem. O Novembro Azul é uma oportunidade para todos se unirem pela saúde masculina e, juntos, fazer a diferença na luta contra o câncer de próstata. Texto elaborado pelo estagiário Rafael Borges de Carvalho – graduando em Física Médica pela UFCSPA – NUCLEORAD.    Referências: [1] Fundacentro - Governo Federal. Novembro azul é uma campanha de conscientização sobre a prevenção de câncer de próstata. Disponível em: https://www.gov.br/fundacentro. [2] Instituto Nacional do Câncer (INCA) - Governo Federal. Câncer de Próstata. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/prostata.  [3] Instituto Nacional do Câncer (INCA) - Governo Federal. Câncer de Próstata: vamos falar sobre isso?. Disponível em: https://www.inca.gov.br/sites. [4] Biblioteca Virtual em Saúde. Câncer de Próstata. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/137cancer_prostata.html. [5] Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Novembro Azul reforça a conscientização sobre a saúde do homem. https://www.estado.rs.gov.br.

Por tiago em 25/11/2024 às 17:55
Indústria, Medicina Nuclear e Transportes
A importância da Proteção Radiológica no tratamento com I-131 em Medicina Nuclear

O Iodo-131 foi o primeiro radioisótopo de importância na Medicina Nuclear. Ele é usado em terapia, sendo preconizador nesse contexto devido a sua composição química, que também possibilitou seu uso em diagnóstico. A administração da  dose  terapêutica  de  Iodo-131  é  realizada  de  forma  ambulatorial  ou  em  isolamento,  conforme a patologia apresentada pelo paciente. O uso de materiais radioativos oferece enormes benefícios no diagnóstico e tratamento de diversas doenças, mas também envolve riscos associados à exposição à radiação ionizante. A proteção radiológica no tratamento com I-131 e outros radiofármacos em Medicina Nuclear é fundamental para garantir a segurança dos pacientes, profissionais de saúde e do público em geral. A física médica, com sua expertise em radioproteção, desempenha um papel crucial em todas as fases do processo. A seguir estão alguns aspectos detalhados sobre a importância da proteção radiológica nesse contexto:   Princípios da Proteção Radiológica A proteção radiológica segue três princípios fundamentais: Justificação: O benefício do uso de radiação ionizante deve superar os riscos. Em Medicina Nuclear, isso significa que o uso de radiofármacos só é justificado quando não há alternativas terapêuticas ou diagnósticas mais seguras que ofereçam os mesmos benefícios. Otimização: Também conhecido como ALARA (As Low As Reasonably Achievable), esse princípio determina que a dose de radiação deve ser a mínima possível para atingir os objetivos clínicos. O físico médico atua para garantir que a dose administrada ao paciente seja cuidadosamente calculada e ajustada para minimizar a exposição desnecessária. Limitação de Dose: Existem limites regulamentares para a exposição ocupacional e pública à radiação. Os físicos médicos e especialistas em proteção radiológica asseguram que essas doses estejam dentro dos limites aceitáveis, com monitoramento contínuo. Proteção dos Pacientes A administração de radiofármacos, como o I-131, implica a introdução de material radioativo no corpo do paciente, o que requer um planejamento cuidadoso para proteger órgãos e tecidos saudáveis da exposição desnecessária. Dosimetria Precisa: O cálculo adequado da dose a ser administrada é essencial para garantir que o tecido-alvo (como a tireoide ou tumores) receba a dose terapêutica, enquanto os tecidos adjacentes ou saudáveis são poupados. O físico médico realiza esses cálculos levando em conta parâmetros biológicos e anatômicos do paciente. Minimização da Exposição: Mesmo que o paciente precise ser exposto a níveis terapêuticos de radiação, existem estratégias para minimizar essa exposição. Por exemplo, a administração de uma dose fracionada ou o uso de bloqueadores de radiação em alguns órgãos pode reduzir a absorção de radiação indesejada. Orientação Pós-Tratamento: Pacientes que recebem tratamentos com radiofármacos de meia-vida longa, como o I-131, podem continuar emitindo radiação por dias após a administração. O físico médico orienta o paciente sobre como minimizar a exposição a familiares e pessoas próximas, incluindo restrições temporárias ao contato físico próximo, especialmente com crianças e gestantes.   Proteção dos Profissionais de Saúde Os profissionais que manuseiam radiofármacos ou atendem pacientes tratados com radiação precisam adotar medidas rigorosas de proteção radiológica para evitar a exposição ocupacional. Monitoração Individual: Os trabalhadores são monitorados continuamente para garantir que suas doses de radiação permaneçam dentro dos limites estabelecidos. Dispositivos de monitoração pessoal, como dosímetros, são utilizados para medir a exposição acumulada ao longo do tempo. Barreiras de Proteção: No ambiente de Medicina Nuclear, são usadas barreiras físicas, como aventais de chumbo e luvas especiais, para reduzir a exposição direta à radiação. Áreas designadas de trabalho com material radioativo também são equipadas com blindagens adequadas. Treinamento em Radioproteção: Profissionais que lidam com materiais radioativos recebem treinamento regular em técnicas de manuseio seguro, uso de equipamentos de proteção e medidas de emergência em caso de exposição acidental ou contaminação.   Proteção do Público A radiação emitida por pacientes tratados com I-131 ou outros radiofármacos pode, em alguns casos, representar um risco para o público. Assim, medidas específicas são adotadas para limitar a exposição das pessoas ao redor. Isolamento Temporário de Pacientes: Pacientes que recebem altas doses de I-131 podem ser colocados em isolamento em áreas controladas até que os níveis de radiação em seus corpos sejam suficientemente baixos para não representar um risco para outras pessoas. Isso é especialmente comum em hospitais com departamentos de Medicina Nuclear que realizam tratamentos de altas doses. Monitoramento Ambiental: Além de monitorar os pacientes e os profissionais de saúde, o ambiente onde são manipulados radiofármacos também é cuidadosamente monitorado para evitar contaminações. Equipamentos de detecção de radiação garantem que as salas de tratamento e áreas de descarte de resíduos radioativos estejam seguras.   Gestão de Resíduos Radioativos O descarte seguro de resíduos contendo radioisótopos é uma parte importante da proteção radiológica. O físico médico, junto com especialistas em radioproteção, garante que resíduos líquidos, sólidos e gasosos resultantes dos tratamentos com radiofármacos sejam tratados e descartados de acordo com normas ambientais rigorosas. Armazenamento de Decaimento: Em muitos casos, resíduos radioativos são armazenados por um período de tempo até que a atividade da radiação decaia para níveis seguros, antes de serem descartados. Normas de Descarte: Existem diretrizes específicas para o descarte de diferentes tipos de resíduos radioativos, e o cumprimento dessas diretrizes é crucial para evitar a contaminação ambiental e a exposição involuntária do público.   Emergências Radiológicas Em casos de acidentes ou falhas no manuseio de radiofármacos, a proteção radiológica também envolve a implementação de planos de resposta a emergências. Esses planos incluem procedimentos para evacuação, contenção e descontaminação, garantindo que qualquer incidente seja gerido de forma eficaz para minimizar o impacto. A proteção radiológica em Medicina Nuclear é essencial para maximizar os benefícios terapêuticos e diagnósticos dos radiofármacos, ao mesmo tempo em que protege pacientes, profissionais e o público de riscos desnecessários. A física médica, com seu conhecimento dos princípios de radioproteção, desempenha um papel vital na implementação de medidas de segurança que garantem o sucesso dos tratamentos, sempre mantendo os riscos sob controle.   Bruna Vitola Lovato Especialista em Radiodiagnóstico – UCS    Referências:  DE OLIVEIRA, A. S.; MULLER, A. dos S.; SIMÃO, E. M.; RODRIGUES JUNIOR, L. F.; SCHWARZ, A. P. Dosimetria de quarto terapêutico para tratamento com Iodo 131. Disciplinarum Scientia | Naturais e Tecnológicas, Santa Maria (RS, Brasil), v. 22, n. 2, p. 95–103, 2021. DOI: 10.37779/nt.v22i2.4063. Disponível em: https://periodicos.ufn.edu.br/index.php/disciplinarumNT/article/view/4063. Acesso em: 24 out. 2024.

Por tiago em 14/11/2024 às 16:46
Radiologia Médica Odontológica e Veterinária
A importância dos testes de controle de qualidade em mamografia

Os testes de controle de qualidade (CQ) em mamografia são fundamentais para assegurar a segurança e eficácia dos exames de imagem na detecção precoce do câncer de mama. Esse tipo de exame utiliza radiação ionizante, e, por isso, o monitoramento contínuo da dose de entrada na pele (DEP) é essencial, especialmente considerando que o tecido mamário é um dos mais radiossensíveis do corpo humano. O controle da dose é importante tanto para minimizar o risco de efeitos adversos à saúde quanto para garantir que as imagens resultantes sejam adequadas para um diagnóstico preciso. Conforme estabelecido pela RDC 611, Instrução Normativa 92, é necessário realizar testes de CQ no equipamento de mamografia pelo menos uma vez ao ano, assim como sempre que ocorrerem ajustes, manutenções ou atualizações no equipamento. Esse cronograma regular de testes visa assegurar que o equipamento esteja operando dentro dos parâmetros de segurança e qualidade especificados. Além disso, ele previne desvios na dose administrada, reduzindo o risco de exposição desnecessária ao paciente e garantindo a estabilidade dos valores de DEP. Esse controle é especialmente importante no modo de controle automático de exposição (AEC), onde o equipamento ajusta automaticamente a dose de acordo com a densidade e a composição do tecido mamário da paciente. O modo AEC é projetado para oferecer um nível consistente de qualidade de imagem com doses otimizadas. No entanto, se não for adequadamente monitorado, o AEC pode resultar em doses inadequadas, seja por exposição excessiva ou por subdosagem, prejudicando a qualidade da imagem e, potencialmente, o diagnóstico. Testes regulares nesse modo são, portanto, fundamentais para garantir que o ajuste automático de dose funcione dentro dos padrões de segurança, proporcionando imagens claras e detalhadas sem exceder os limites de dose recomendados. Além disso, o controle anual da DEP permite avaliar a conformidade com o princípio ALARA (As Low As Reasonably Achievable), que visa minimizar a exposição à radiação sem comprometer a qualidade da imagem diagnóstica. O acompanhamento contínuo e a adequação das doses contribuem para a prevenção de reexposições, evitando que a paciente passe por mais de uma mamografia devido a falhas na qualidade da imagem ou a parâmetros incorretos de dose. Isso é especialmente relevante, pois a exposição acumulativa ao longo dos anos pode aumentar o risco de efeitos estocásticos, como o desenvolvimento de câncer induzido pela radiação. Dessa forma, os testes de CQ não apenas preservam a saúde das pacientes, mas também asseguram a conformidade com as regulamentações vigentes e elevam a qualidade do atendimento prestado. Eles demonstram o compromisso dos serviços de imagem com a segurança radiológica e reforçam a confiança das pacientes nos procedimentos de rastreamento e diagnóstico. Em resumo, o controle regular da DEP e dos parâmetros de operação em mamografia, aliado ao cumprimento das normas regulamentares, é indispensável para uma prática segura e eficaz, permitindo diagnósticos precoces sem comprometer a segurança das pacientes.   Texto Elaborado pela Letícia Fröhlich - Física NUCLEORAD   Referências: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) nº 611, de 10 de setembro de 2022. Dispõe sobre os requisitos de segurança e proteção radiológica em radiodiagnóstico médico e odontológico. Disponível em: site da ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Instrução Normativa (IN) nº 92, de 10 de setembro de 2022. Estabelece os critérios técnicos para a execução dos testes de controle de qualidade em equipamentos de raios-x diagnóstico. Disponível em: site da ANVISA. American College of Radiology (ACR). (2018). Mammography Quality Control Manual. Este manual fornece diretrizes para procedimentos de controle de qualidade em mamografia e recomendações de dose.

Por tiago em 07/11/2024 às 12:38