NucleoBlog
Radiologia Médica Odontológica e Veterinária
Cirurgias com Marcadores Não Invasivos e Não Radioativos: O Futuro da Visualização Médica

Na busca por métodos cada vez mais seguros e eficazes, a medicina tem avançado significativamente no desenvolvimento de técnicas de imagem que dispensam tanto o uso de radiação ionizante quanto procedimentos invasivos. Um dos campos que mais se beneficia dessas inovações é a cardiologia, onde marcadores não invasivos e não radioativos vêm sendo estudados e aplicados para a visualização funcional e anatômica do coração com alta precisão e segurança [1]. Tradicionalmente, a obtenção de imagens cardíacas funcionais envolvia o uso de radiofármacos em exames como PET e SPECT, que embora forneçam informações valiosas, exigem exposição à radiação e preparo específico do paciente. Além disso, muitas dessas abordagens demandam inserção de cateteres ou injeções, o que pode representar riscos, desconforto e limitações para pacientes com contraindicações. Diante desse cenário, tecnologias emergentes vêm propondo o uso de propriedades fisiológicas naturais do próprio corpo como "marcadores" — por exemplo, a movimentação e concentração de íons, como o sódio (Na⁺), ao longo de processos celulares normais [2]. A bomba de sódio-potássio (Na⁺/K⁺-ATPase) é um componente essencial das células miocárdicas, responsável por manter o equilíbrio eletroquímico e a excitabilidade do tecido cardíaco. Durante a atividade celular normal, a concentração de sódio intracelular é rigidamente controlada, e qualquer alteração, como ocorre em casos de isquemia ou inflamação, pode indicar sofrimento ou dano tecidual. Técnicas de imagem que detectam a distribuição de íons sódio são capazes de capturar essas alterações fisiológicas de forma não invasiva. Um exemplo disso é a ressonância magnética de sódio (Na-MRI), que permite mapear a concentração de sódio no tecido cardíaco em tempo real [3]. Na-MRI funciona de maneira semelhante à ressonância magnética convencional, mas em vez de detectar os sinais emitidos pelos prótons (átomos de hidrogênio) presentes na água, o sistema é ajustado para captar os núcleos de sódio-23. Como o sódio está presente em concentrações muito menores do que o hidrogênio, essa técnica exige equipamentos com alto campo magnético e bobinas específicas. Ainda assim, os avanços recentes têm tornado essa abordagem cada vez mais viável na prática clínica e na pesquisa. Com ela, é possível visualizar regiões do coração com disfunção celular, mesmo antes de ocorrerem alterações anatômicas visíveis — uma vantagem significativa em relação a métodos tradicionais [3]. Além da Na-MRI, outras técnicas não invasivas que utilizam contrastes alternativos, como fluoróforos ligados a processos metabólicos ou marcadores magnéticos sensíveis a variações de pH e fluxo sanguíneo, também estão sendo desenvolvidas. Essas abordagens visam destacar áreas específicas do tecido sem a necessidade de radiação ionizante, tornando os exames mais seguros e repetíveis ao longo do tempo. Em muitos casos, essas imagens podem ser combinadas com inteligência artificial e algoritmos de reconstrução para oferecer um detalhamento ainda maior das estruturas anatômicas e funcionais [4]. Essas técnicas também possibilitam a avaliação de condições cardíacas complexas com mais precisão, como a detecção precoce de miocardiopatias, a diferenciação entre tecido viável e tecido necrótico, e o monitoramento da eficácia de terapias farmacológicas ou intervencionistas. Além disso, são especialmente vantajosas em grupos vulneráveis, como gestantes, crianças e pacientes com doenças crônicas, que necessitam de monitoramento frequente sem os riscos associados à exposição acumulada à radiação [1]. Embora ainda estejam em processo de validação para uso rotineiro, as imagens obtidas com marcadores não invasivos e não radioativos representam um avanço importante na medicina moderna. Ao transformar processos fisiológicos em fontes de contraste naturais, essas tecnologias aliam precisão, segurança e conforto, abrindo caminho para um novo paradigma na cardiologia e em outras áreas da saúde. O futuro da imagem médica pode ser cada vez mais integrado à biologia molecular e menos dependente de métodos invasivos — e esses marcadores são um passo crucial nessa direção.   Texto elaborado por Eduardo Berna – Estágiario NUCLEORAD  

Por Bruna em 09/04/2025 às 16:06
Radiologia Médica Odontológica e Veterinária
Os Tipos de Radiação e Suas Aplicações na Medicina

A radiação está presente em diversas áreas da ciência e tecnologia, sendo amplamente utilizada na medicina para diagnóstico e tratamento. Dependendo da sua energia, a radiação pode ser classificada como ionizante ou não ionizante. A radiação ionizante possui energia suficiente para remover elétrons dos átomos, modificando estruturas celulares e podendo causar efeitos biológicos relevantes. Já a radiação não ionizante não tem essa capacidade, mas ainda pode interagir com os tecidos biológicos e ser utilizada em diversas aplicações médicas. Radiação Não Ionizante e sua Aplicação na Medicina A radiação não ionizante possui menor energia e não é capaz de ionizar átomos, mas pode excitar moléculas e produzir efeitos biológicos como aquecimento e mudanças na orientação molecular. Principais tipos de radiação não ionizante: Ondas de rádio e micro-ondas São usadas na ressonância magnética (RM), uma técnica essencial para a obtenção de imagens de tecidos moles sem a necessidade de radiação ionizante. O princípio da RM baseia-se na interação de campos magnéticos intensos com os prótons presentes no corpo humano. Esses prótons, ao serem estimulados por ondas de rádio, emitem sinais que são convertidos em imagens detalhadas dos órgãos e tecidos. Infravermelho (IV) Utilizado em termografia médica para detectar variações de temperatura na pele, ajudando no diagnóstico de inflamações e problemas circulatórios. Luz visível Utilizada em fototerapia para o tratamento de icterícia neonatal, por exemplo. A grande vantagem da radiação não ionizante é sua segurança relativa, permitindo o uso contínuo sem os riscos associados à exposição prolongada à radiação ionizante. Radiação Ionizante: Tipos e Aplicações Médicas A radiação ionizante tem energia suficiente para remover elétrons dos átomos, podendo causar alterações celulares. Esse efeito pode ser explorado tanto para fins diagnósticos quanto terapêuticos. Radiação Eletromagnética Ionizante Este tipo de radiação se propaga na forma de ondas e não possui massa nem carga elétrica. Raios X São amplamente utilizados na radiologia em exames como tomografia computadorizada, raios X, mamografia, hemodinâmica e densitometria óssea para a obtenção de imagens internas do corpo. Os raios X possuem um alto poder de penetração e são absorvidos em diferentes graus pelos tecidos, permitindo a visualização de ossos, órgãos e estruturas anatômicas. Raios Gama (y) Possuem energia ainda maior que os raios X e são empregados em radioterapia para o tratamento de câncer, além de serem utilizados em exames de medicina nuclear, como a cintilografia e a tomografia por emissão de pósitrons (PET). Radiação Corpuscular Ionizante Diferente da radiação eletromagnética, a radiação corpuscular é composta por partículas que possuem massa e, em alguns casos, carga elétrica. Partículas Alfa (a) São formadas por dois prótons e dois nêutrons. Apesar de terem baixo poder de penetração, são altamente ionizantes. São usadas em terapias direcionadas para câncer, como em radionuclídeos que emitem partículas alfa para destruir células tumorais sem afetar tecidos saudáveis. Partículas Beta (b) São elétrons (b⁻) ou pósitrons (b⁺) emitidos por núcleos radioativos. Na medicina, são utilizadas em radiofármacos para tratamento de câncer e na terapia com iodo-131 para o tratamento do hipertireoidismo e câncer de tireoide. Nêutrons São partículas sem carga elétrica e com alto poder de penetração. Sua principal aplicação médica é na captura neutrônica em boro (BNCT), um tipo inovador de radioterapia que destrói células tumorais de forma seletiva. Pósitrons Utilizados na tomografia por emissão de pósitrons (PET), um exame que permite a observação da atividade metabólica dos tecidos e é essencial no diagnóstico precoce de câncer e doenças neurológicas. A radiação desempenha um papel fundamental na medicina, tanto no diagnóstico quanto no tratamento de diversas doenças. A radiação não ionizante, como as ondas de rádio utilizadas na ressonância magnética, permite exames seguros e não invasivos. Já a radiação ionizante, incluindo os raios X e a radiação corpuscular, tem aplicações cruciais no diagnóstico por imagem e na terapia do câncer. O avanço das tecnologias baseadas em radiação continua permitindo maior precisão, eficácia e segurança nos procedimentos médicos, melhorando a qualidade de vida dos pacientes.   Texto elaborado por Letícia Fröhlich – Física Médica NUCLEORAD   Referências: [1] Okuno, E., & Yoshimura, E. M. (2010). Física das Radiações. São Paulo: Oficina de Textos. ISBN: 978-85-7975-005-2. [2] Bushberg, J. T., Seibert, J. A., Leidholdt, E. M., & Boone, J. M. (2011). The Essential Physics of Medical Imaging (3rd ed.). Lippincott Williams & Wilkins. ISBN: 978-0781780575.

Por Bruna em 02/04/2025 às 09:54
Eventos e Notícias
Nanotecnologia desenvolvida na USP substitui agente de contraste por composto mais eficiente e seguro

Uma equipe de pesquisadores do Instituto de Química (IQ) da USP, da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP desenvolveu uma nova tecnologia capaz de substituir o composto utilizado nos contrastes comerciais aplicados em procedimentos de obtenção de imagem para diagnóstico clínico – como a ressonância magnética e, especialmente, a angiografia. A tecnologia recém-descoberta baseia-se em nanopartículas ultrapequenas, feitas de dióxido de titânio e revestidas por óxido de ferro (UPN). Pesquisas recentes na área da nanotecnologia vêm explorando alternativas aos agentes de contraste convencionais utilizados em ressonância magnética (RM), especialmente aqueles à base de gadolínio, que podem apresentar riscos de toxicidade e acúmulo no organismo. Os compostos atualmente disponíveis no mercado podem provocar efeitos nefrotóxicos, principalmente no caso de pacientes com insuficiência renal grave, além da deposição de gadolínio em diferentes órgãos. Os testes realizados em modelos animais indicaram uma excelente biocompatibilidade do material – ou seja, ele não apresentou toxicidade a diferentes tecidos biológicos – e eliminação pela urina, além de gerar um realce de contraste forte e prolongado, graças à sua estrutura e composição. Outra vantagem conquistada pelos pesquisadores foi a possibilidade de manter os mesmos protocolos clínicos já estabelecidos para a aplicação do contraste à base de compostos de gadolínio, facilitando sua adoção na prática clínica. Segundo Koiti Araki, professor do Departamento de Química Fundamental do IQ e coordenador do Laboratório de Química Supramolecular e Nanotecnologia, a mudança de protocolos envolve práticas já bastante consolidadas e quantidades expressivas de investimentos – seja para testar uma nova metodologia, seja para treinar todas as equipes de profissionais envolvidos em sua execução. Assim, é essencial priorizar o mínimo de mudanças com o máximo de benefícios possível para inserir ou substituir qualquer produto inovador no mercado. A ressonância magnética é um exemplo de técnica de diagnóstico por imagem não invasiva, que fornece informações detalhadas sobre os órgãos, vasos e outros tecidos do paciente. Funciona como uma foto, só que “de dentro para fora”. Para detectar lesões ou anomalias com maior precisão, a resolução da imagem é comumente melhorada por compostos denominados “agentes de contraste” — uma vez que estes permitem destacar determinadas regiões que se deseja observar no exame clínico. De maneira simplificada, existem dois tipos de agentes de contraste. Um deles, popularmente chamado de “contraste negativo”, faz com que o órgão ou tecido destacado apareça mais escurecido na imagem. O outro, por sua vez, é conhecido como “contraste positivo” e seu efeito é oposto: ele deixa o local de destaque mais brilhante do que o entorno. Há um consenso de que o segundo tipo de agente tem melhor resolução do que o primeiro, já que permite que o órgão em observação seja mais facilmente diferenciado do restante dos tecidos. Por isso, o produto comercialmente utilizado hoje, feito à base de uma substância chamada gadolínio (Gd), é um agente de contraste do tipo positivo. Até o momento, muitos grupos de pesquisadores em diferentes países tentaram encontrar substitutos adequados ao gadolínio, que mantivessem tanto as propriedades de resolução do agente de contraste quanto resolvessem o problema da toxicidade. Porém, as melhores soluções encontradas foram contrastes do tipo negativo, somente – o que não se mostrou tão vantajoso do ponto de vista clínico e comercial. Segundo o professor Koiti, que também é um dos autores do estudo, havia uma dificuldade em conseguir a qualidade e a biossegurança no mesmo material, porque isto não é algo simples de se obter. No entanto, após quase uma década de pesquisa, o grupo encontrou o que parece ser a fórmula ideal. A nanopartícula que compõe o novo agente de contraste é feita de dióxido de titânio e decorada com óxido de ferro. Os dois compostos são essenciais, explica Koiti, porque sem um dos elementos o agente perde as propriedades que o fazem brilhar e ter a melhor resolução possível. Além disso, tanto o ferro quanto o titânio são biocompatíveis e excretados naturalmente pelo organismo, o que reforça a questão central da segurança no objetivo de pesquisa do grupo. Por fim, outra característica observada nos testes foi que, ao comparar o novo material com o agente de contraste tradicional, o produto à base de nanopartículas teve um tempo de circulação médio duas vezes maior. Isto significa que a substância, após injetada, permanece na circulação sanguínea do paciente por um tempo prolongado até ser completamente eliminada – o que pode ser vantajoso, no caso de exames que requerem a visualização de vasos sanguíneos, como é o caso da angiografia.   Texto elaborado por Bruna Vitola Lovato – Física Médica NUCLEORAD   Referências: [1] Nanotecnologia desenvolvida na USP substitui agente de contraste por composto mais eficiente e seguro. Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/nanotecnologia-desenvolvida-na-usp-substitui-agente-de-contraste-por-composto-mais-eficiente-e-seguro/. Acesso em: 07 de março de 2025. [2] Kawassaki RK, Romano M, Klimuk Uchiyama M, Cardoso RM, Baptista MS, Farsky SHP, Chaim KT, Guimarães RR, Araki K. Novel Gadolinium-Free Ultrasmall Nanostructured Positive Contrast for Magnetic Resonance Angiography and Imaging. Nano Lett. 2023 Jun 28;23(12):5497-5505. doi: 10.1021/acs.nanolett.3c00665. Epub 2023 Jun 10. PMID: 37300521; PMCID: PMC10312191.

Por Bruna em 12/03/2025 às 09:58
Eventos e Notícias
Detecção Precoce de Câncer: Como as Tecnologias de Imagem (TC, RM e PET) ajudam no diagnóstico precoce e monitoramento do câncer

A detecção precoce de câncer é um dos maiores avanços na medicina moderna, pois permite que os médicos identifiquem a doença em seus estágios iniciais, quando as chances de tratamento eficaz e cura são significativamente maiores. As tecnologias de imagem, como Tomografia Computadorizada (TC), Ressonância Magnética (RM) e Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET), têm se mostrado ferramentas essenciais para esse processo, permitindo a visualização detalhada de anomalias no corpo e oferecendo informações cruciais para o diagnóstico e monitoramento de tumores. A seguir, vamos explorar como essas tecnologias contribuem para a detecção e o acompanhamento do câncer. Tomografia Computadorizada (TC) A Tomografia Computadorizada (TC) utiliza raios-X para criar imagens transversais detalhadas do corpo, que podem ser combinadas para gerar uma imagem tridimensional. A TC é especialmente útil para: Diagnóstico Inicial: A TC é comumente usada para detectar tumores em diferentes partes do corpo, incluindo pulmões, fígado, pâncreas e intestinos. Ela é eficaz na visualização de alterações de densidade nos tecidos, como nódulos ou massas tumorais. Monitoramento da Resposta ao Tratamento: Após o diagnóstico de câncer, a TC pode ser usada para monitorar como o tumor responde ao tratamento, como quimioterapia ou radioterapia. A redução ou estabilização de um tumor pode ser observada ao longo do tempo por meio de comparações de imagens. Detecção de Metástases: A TC é útil para verificar a disseminação do câncer para outras partes do corpo, identificando metástases em órgãos distantes. Angiografia por TC: A TC também pode ser combinada com contraste para mapear a circulação sanguínea ao redor de tumores, ajudando a identificar áreas de neovascularização, um processo que ocorre quando os tumores criam novos vasos sanguíneos para suprir suas necessidades nutricionais. Ressonância Magnética (RM) A Ressonância Magnética (RM) utiliza um forte campo magnético e ondas de rádio para gerar imagens detalhadas dos órgãos e tecidos do corpo. Ela tem vantagens significativas na detecção precoce de câncer devido à sua capacidade de fornecer imagens de alta resolução de tecidos moles. Algumas aplicações no diagnóstico de câncer incluem: Diagnóstico de Tumores Cerebrais e da Medula Espinhal: A RM é uma das principais ferramentas para detectar tumores no cérebro e na medula espinhal, pois oferece imagens extremamente detalhadas desses tecidos moles, permitindo identificar até mesmo lesões pequenas e de difícil visualização em outras modalidades. Exame de Câncer de Mama: A RM é especialmente útil em pacientes com alto risco de câncer de mama ou em mulheres com tecidos mamários densos, onde a mamografia pode ser menos eficaz. A RM ajuda a identificar tumores que não são facilmente detectáveis por outros métodos. Detecção de Tumores Abdominais e Pélvicos: A RM é eficaz na visualização de tumores no fígado, rins, pâncreas, próstata e órgãos reprodutivos, oferecendo informações detalhadas sobre a localização, tamanho e extensão do câncer. Caracterização do Tumor: A RM pode ser usada para diferenciar entre tumores benignos e malignos com base nas características do tecido, ajudando a determinar a natureza do tumor e se ele é mais propenso a se espalhar. Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET) A Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET) é uma tecnologia de imagem molecular que permite detectar a atividade biológica dos tecidos. Ela é frequentemente combinada com a TC (PET-CT) para fornecer uma imagem detalhada tanto da anatomia quanto da função do corpo. O PET é fundamental na detecção precoce e no acompanhamento do câncer por várias razões: Detecção Precoce de Câncer: O PET usa um marcador radioativo (geralmente a glicose marcada com flúor, 18F-FDG) que é absorvido de maneira mais intensa pelas células cancerígenas, que tendem a ter uma taxa de metabolismo mais alta. Isso permite identificar áreas com atividade anômala muito antes que as alterações estruturais sejam visíveis em outras modalidades de imagem, como TC ou RM. Estadiamento e Determinação da Extensão do Câncer: O PET ajuda a determinar a extensão do câncer, identificando não apenas o local original do tumor, mas também metástases em outras áreas do corpo que podem não ser visíveis em exames anatômicos convencionais. Monitoramento da Resposta ao Tratamento: O PET é extremamente útil para monitorar como o câncer está respondendo ao tratamento. Tumores que não estão respondendo bem ao tratamento, como a quimioterapia ou a radioterapia, podem mostrar uma atividade metabólica contínua ou aumentada, enquanto tumores que estão regredindo geralmente apresentam uma diminuição no metabolismo celular. Detecção de Recorrência: Após o tratamento, o PET pode ser utilizado para monitorar a recorrência de câncer, detectando qualquer novo crescimento celular suspeito de ser maligno.   Integração das Tecnologias: PET-CT e PET-RM Uma das inovações mais significativas na detecção e monitoramento do câncer é a integração de diferentes tecnologias de imagem, como o PET-CT e PET-RM. Essas combinações oferecem uma visão mais precisa e completa, permitindo que os médicos não apenas vejam a localização e a forma dos tumores (como no caso da TC ou RM), mas também a atividade metabólica das células tumorais (como no PET). Esses exames combinados permitem: Uma Avaliação Mais Precisa do Tumor: O PET-CT ou PET-RM combina as informações anatômicas da TC ou RM com as informações funcionais do PET, proporcionando uma visão abrangente do tumor em termos de estrutura e atividade celular. Melhor Planejamento de Tratamento: A informação integrada ajuda os médicos a planejar tratamentos de forma mais eficaz, seja para cirurgia, radioterapia ou quimioterapia. Redução de Falsos Positivos e Falsos Negativos: A combinação de imagens anatômicas e funcionais ajuda a minimizar a possibilidade de resultados falsos, melhorando a precisão do diagnóstico.   As tecnologias de imagem, como Tomografia Computadorizada (TC), Ressonância Magnética (RM) e Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET), desempenham um papel fundamental na detecção precoce e no monitoramento do câncer. Elas oferecem uma maneira não invasiva e altamente precisa de identificar tumores, monitorar a eficácia do tratamento e detectar recidivas. O uso combinado dessas tecnologias melhora significativamente a capacidade de diagnosticar e tratar o câncer em seus estágios iniciais, o que pode levar a melhores resultados para os pacientes.   Texto elaborado por Tiago Langone – Físico Médico NUCLEORAD   Referências [1] AraujoL. A. de; ReisB. C. C. Análise da detecção precoce do câncer de pele: uma revisão da literatura. Revista Eletrônica Acervo Médico, v. 10, p. e10030, 16 jun. 2022. [2] MoraisI. da S. M.; RêgoJ. da S.; ReisL. A.; MouraT. G. A importância do exame preventivo na detecção precoce do câncer de colo uterino: uma revisão de literatura. Revista Eletrônica Acervo Enfermagem, v. 10, p. e6472, 11 abr. 2021.

Por Bruna em 05/03/2025 às 14:33
Gestão em Saúde
Radioproteção na Saúde: Como Minimizar Riscos e Garantir Segurança?

A radioproteção é uma área da Física Médica que busca minimizar os riscos associados à exposição à radiação ionizante em ambientes de saúde. Tanto os profissionais quanto os pacientes precisam ser protegidos para que os benefícios dos exames e tratamentos superem os potenciais riscos. Para isso, existem normas e regulamentações específicas, além do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e medidas de segurança nos hospitais e clínicas [1]. A exposição à radiação ionizante é rigorosamente regulamentada por normas nacionais e internacionais, que estabelecem diretrizes para garantir a segurança de todos os envolvidos. No Brasil, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) são responsáveis por definir critérios para a proteção radiológica em serviços de saúde. Algumas das principais diretrizes incluem o Princípio ALARA (As Low As Reasonably Achievable), que determina que a dose de radiação deve ser mantida no nível mais baixo possível, sem comprometer a qualidade dos exames e tratamentos. Além disso, os limites de dose ocupacional anual para trabalhadores expostos à radiação são de 20 mSv, enquanto para o público em geral o limite é de 1 mSv por ano [2]. O monitoramento da exposição é outra exigência importante, sendo obrigatório o uso de dosímetros individuais para acompanhar a exposição ocupacional dos profissionais e garantir que os limites de segurança sejam respeitados. Por fim, também há a blindagem e o controle de acesso, que exige que paredes, portas e janelas de salas onde há radiação sejam construídas com materiais como chumbo ou concreto, minimizando a dispersão da radiação e protegendo áreas adjacentes [3]. Além das regulamentações, a utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) é indispensável para reduzir a exposição à radiação. Entre os principais EPIs utilizados estão os aventais de chumbo, que reduzem significativamente a exposição do tronco à radiação dispersa; os protetores de tireóide, que protegem a glândula tireoide, altamente sensível à radiação; os óculos plumbíferos, que minimizam a exposição dos olhos à radiação dispersa, reduzindo o risco de catarata induzida por exposição prolongada; e as luvas de chumbo, utilizadas principalmente em procedimentos intervencionistas para minimizar a exposição das mãos [4]. Além dos EPIs, outras medidas de segurança são fundamentais para a proteção radiológica. Estratégias simples e eficazes incluem manter uma distância segura da fonte de radiação e reduzir o tempo de exposição, diminuindo assim a dose recebida. O uso de colimadores também é essencial, pois esses dispositivos reduzem a área irradiada, evitando a exposição desnecessária de pacientes e profissionais [2]. Outra ação fundamental é a capacitação contínua dos profissionais, garantindo que treinamentos periódicos sejam realizados para mantê-los atualizados sobre boas práticas de radioproteção [5]. A evolução tecnológica também desempenha melhorias na radioproteção, permitindo o desenvolvimento de equipamentos mais seguros e eficientes. Avanços como a tomografia computadorizada de baixa dose, o uso de softwares de otimização de imagem e sistemas de monitoramento em tempo real ajudam a reduzir a exposição desnecessária à radiação sem comprometer a qualidade dos exames. Também, a implementação de protocolos personalizados para cada paciente, levando em consideração fatores como idade, peso e histórico clínico, contribui para a aplicação de doses adequadas, reforçando o equilíbrio entre benefício e segurança no uso da radiação ionizante na medicina [6]. Portanto, a radioproteção na medicina é um compromisso contínuo para assegurar que a utilização da radiação ionizante seja feita de maneira segura e eficiente. O cumprimento das normas regulamentadoras, o uso adequado de EPIs e a adoção de medidas preventivas são essenciais para proteger tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes. Dessa forma, é possível continuar aproveitando os benefícios da radiação no diagnóstico e tratamento de doenças, sempre priorizando a segurança e o bem-estar de todos. Texto elaborado pelo estagiário Rafael Borges de Carvalho – graduando em Física Médica pela UFCSPA – NUCLEORAD.   Referências: [1] CNEN - Comissão Nacional de Energia Nuclear. Norma CNEN NN 3.01 - Diretrizes Básicas de Radioproteção. Brasília: CNEN, 2014. [2] CNEN - Comissão Nacional de Energia Nuclear. Norma CNEN NN 6.05 - Requisitos de Segurança e Proteção Radiológica para Serviços de Radioterapia. Brasília: CNEN, 2014.  [3] ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 611, de 9 de março de 2022. Brasília: ANVISA, 2022.  [4] ANVISA. Manual de Proteção Radiológica em Radiodiagnóstico Médico e Odontológico. Brasília: ANVISA, 2020.  [5] CNEN - Comissão Nacional de Energia Nuclear. Diretrizes de Treinamento em Proteção Radiológica para Profissionais de Saúde. Brasília: CNEN, 2021.   [6] Dalmazo J, Elias Júnior J, Brocchi MAC, Costa PR, Azevedo-Marques PM de. Otimização da dose em exames de rotina em tomografia computadorizada: estudo de viabilidade em um Hospital Universitário. Radiol Bras [Internet]. 2010 Jul;43(4):241–8.

Por Bruna em 26/02/2025 às 13:40
Radiologia Médica Odontológica e Veterinária
Irradiação vs. Contaminação: Entenda as Diferenças e a Importância na Física Médica

Quando falamos em radiação, muitas pessoas associam imediatamente a algo perigoso e invisível, mas poucos compreendem os conceitos fundamentais de irradiação e contaminação. No contexto da física médica, essa distinção é essencial para garantir a segurança de pacientes e profissionais que lidam com fontes radioativas. Embora esses termos sejam frequentemente usados de forma intercambiável no imaginário popular, eles descrevem fenômenos distintos. Neste artigo, vamos esclarecer essas diferenças de maneira simples e objetiva, além de explorar exemplos reais e aplicações na área da saúde.  O que é Irradiação? A irradiação ocorre quando um objeto ou organismo é exposto à radiação ionizante proveniente de uma fonte externa, como raios-X, raios gama ou partículas alfa e beta. No entanto, essa exposição não significa que houve contato direto com a substância radioativa nem que o corpo ficará "radioativo" após a exposição. Um exemplo prático de irradiação ocorre nos exames de imagem médica, como a radiografia e a tomografia computadorizada, onde os tecidos do paciente são atravessados por feixes de radiação para gerar imagens detalhadas. Da mesma forma, em tratamentos de radioterapia, os tumores são alvos de radiação ionizante de alta energia para destruir células cancerígenas sem que o paciente se torne uma fonte de radiação. É importante lembrar que, assim que a fonte de radiação é desligada ou removida, a exposição cessa imediatamente, e o indivíduo não "carrega" radiação consigo. Outros exemplos de irradiação são a Exposição ao Sol (raios UV são um tipo de radiação eletromagnética, passageiros e tripulação de aviões expostos à radiação cósmica em grandes altitudes e o uso de irradiadores industriais para esterilização de alimentos e materiais médicos. O que é Contaminação? A contaminação radioativa ocorre quando partículas de material radioativo entram em contato com um objeto, superfície ou organismo. Essas partículas podem aderir à pele, roupas ou, em casos mais graves, serem ingeridas ou inaladas, tornando-se uma fonte contínua de radiação até serem eliminadas. Diferente da irradiação, a contaminação pode ser perigosa mesmo depois que a fonte original for removida, porque as partículas radioativas continuam a emitir radiação. Existem dois tipos de contaminação, a interna e a externa. A contaminação externa ocorre quando partículas radioativas aderem à pele, cabelo, roupas ou superfícies. Este tipo de contaminação pode ser removido por meio de lavagem ou descontaminação. Já a contaminação interna acontece o material radioativo é ingerido, inalado ou absorvido pelo corpo, podendo causar exposição prolongada a órgãos internos. Um exemplo real de contaminação interna foi o caso do acidente com o Césio-137, ocorrido em Goiânia (1987), que é um caso emblemático de contaminação radioativa. O acidente ocorreu após o desmonte de um aparelho de radioterapia abandonado, e a substância radioativa que continha foi manuseada e espalhada pela população, causando sérias consequências de saúde. Outros exemplos de contaminação são a poeira radioativa liberada em testes nucleares ou acidentes em usinas, o manuseio de materiais radioativos por profissionais sem a devida proteção e a ingesta de alimentos contaminados com substâncias radioativas após um acidente nuclear. Como se proteger? A Física Médica e a radioproteção têm diretrizes bem definidas para minimizar riscos tanto de irradiação quanto de contaminação. Algumas estratégias incluem: Proteção contra Irradiação: Tempo – Reduzir ao máximo o tempo de exposição à fonte de radiação. Distância – Manter-se o mais longe possível da fonte radioativa. Blindagem – Utilizar barreiras de proteção, como aventais de chumbo ou paredes de concreto. Proteção contra Contaminação: EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) – Uso de luvas, máscaras e roupas especiais. Higienização e descontaminação – Lavar as superfícies expostas para remover partículas radioativas. Controle de acesso e descarte seguro – Evitar a dispersão de materiais radioativos no ambiente. Em resumo, enquanto irradiação se refere à exposição à radiação sem contato direto com materiais radioativos, contaminação envolve o contato ou a incorporação dessas substâncias, podendo gerar exposição prolongada. No ambiente da física médica, compreender essa diferença é essencial para garantir a segurança de pacientes, técnicos e médicos, permitindo o uso seguro e eficaz da radiação em exames e tratamentos.   Texto elaborado por Letícia Fröhlich – Física Média NUCLEORAD   Referências: [1] Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) – www.gov.br/cnen [2] International Atomic Energy Agency (IAEA) – www.iaea.org

Por Bruna em 20/02/2025 às 10:25